Terça-feira, 15 de Maio de 2012
Este blog não pode ser só sobre dias maus

Apesar de ter mais vontade em desabafar quando tenho um dia mau... Já escrevi por aqui algures que quando estamos felizes estamos demasiado ocupados a viver essa felicidade e menos ocupados em escreve-la. Ainda assim quero ter alguma memória dos dias bons, melhores, positivos. Ontem foi um desses dias. Mesmo tendo acordado atrasada e começado o dia com o puto mais velho a correr para não chegar muito depois das nove à escola, o sol brilhou muito e permitiu-me usar manga curta, andar de chinelos por casa, vestir um vestido novo à mais nova (adoro o verão... adoro ve-la com roupa de verão...) e comer um gelado ao fim da tarde com ambos os filhos (e outra na barriga). E até Miss Lila cooperou - como já vai fazendo - entretendo-se sozinha, sujando os joelhos, permitindo-me fazer camas e limpar e arrumar e tratar da roupa, sem grandes choros ou gritos ou chamadas de atenção. E mesmo quando caiu - entre gargalhadas de felicidade por estar a "ajudar-me" a fazer a cama - e bateu com o queixo... mesmo assim não houve stress nem birra. Foi bom. Só colo e mimo. Cheguei ao final do dia com a casa limpa e arrumada - e eu entendo que haja muita gente para quem isto é irrelevante mas nem imaginam o consolo mental que é chegar ao final do dia e ver que FIZ alguma coisa e que se NOTA! - cansada mas bem disposta... jantámos grelhados e salada e fruta e adormecemos de manga curta.

 

Hoje o dia amanheceu solarengo outra vez e é um bálsamo para mim.

 

 

Aqui Miss Lila descobre que a casa tem uma varanda e aprende a descer o "degrau" para poder ir apanhar sol :)

 



publicado por Daniela às 15:48
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Quinta-feira, 10 de Maio de 2012
11 meses

 

[Amor em quantidades industriais]

 


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publicado por Daniela às 11:26
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Quarta-feira, 9 de Maio de 2012
<3

"Por ocasião do Dia Internacional do Enfermeiro Especialista de Saúde Materna e Obstétrica / Parteira, que se comemora a 5 de maio, a Ordem dos Enfermeiros (OE) decidiu publicar o documento de consenso «Pelo Direito ao Parto Normal – uma Visão Partilhada».

A publicação desta obra prende-se com a atualidade e pertinência da temática.

Na mensagem que escreveu para o livro, o Bastonário da OE sublinhou que «nunca, como hoje, o Direito ao Parto Normal pelos casais foi tão atual. As mulheres grávidas e suas famílias continuam a encontrar nas maternidades públicas e privadas um excesso de medicalização e instrumentalização do parto, sem conhecerem ainda o direito a um parto normal, como é defensável pela Organização Mundial de Saúde e pela Ordem dos Enfermeiros».

Poderá consultar aqui a referida obra."

 

Negrito da minha autoria.

 



publicado por Daniela às 16:19
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deja vu

As minhas consultas de saúde materna actuais são tudo menos convencionais. Se pudesse abdicava de metade delas mas gosto de pensar em mim como uma pessoa responsável.

 

Ontem lá fui eu. Até agora mais 4 quilos (not bad!) e uma anemia já minha conhecida. Com 25 semanas e 4 dias já levo mais 2cm de PA do que na mesma altura de Miss Lila... Nada de anormal.

 

Miss Lila salta de colo em colo enquanto me medem a tensão, me pesam, me medem a barriga. Depois fica sentada ao meu lado a observar com curiosidade enquanto ouvem o coração da mais nova. Falo com o médico entre guinchos dela, percorro o consultório com ela pela mão, impeço-a de ir mexer no caixote do lixo. Entre risos o médico diz que afinal 4 quilos é muito, que com aquela actividade ainda nem devia ter engordado...

 

Daqui a um mês há mais, em conjunto com a consulta do 1º ano de Miss Lila.



publicado por Daniela às 09:38
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Segunda-feira, 7 de Maio de 2012
Eu não estou deprimida. Juro.

Ou talvez esteja hoje um bocadinho. Mas não estou prestes a cortar os pulsos, tenho noção que isto são muitas hormonas, muito cansaço e muita coisa acumulada e que amanhã já estou fina novamente. Mas hoje, só hoje, tenho de me queixar muito. Porque se caio no erro de não me queixar para parecer "bem" (bem a quem? a mim? aos outros? a ambos?) parece que ainda fico pior... Acordo com vontade de começar a chorar e só parar ao final do dia, ou até adormecer novamente, o que quer que venha primeiro. O mais velho fica em casa de manhã porque está a antibiótico e ontem deitou-se perto da meia-noite. Tem umas olheiras de meter medo. E não, não foi para a cama à meia-noite just 'cause... a hora de dormir è as 21:30 mas contingências da vida roubam-nos horas de sono ao domingo à noite. A mais nova acorda e chora. A da barriga dá-me pontapés, que tem fome, mas primeiro os mais velhos têm de comer. Na caixa do correio mais um embróglio para resolver com a segurança social. Vale-me saber que do outro lado há um ser humano simpático que já se desfez em desculpas mais que uma vez. Ainda assim tenho de enfrentar a chuva - que não era suposto chover, era suposto estar 30º e um sol radioso - e enfiar-me na segurança social, e esperar, e estar dois minutos à conversa que é o tempo que é necessário para resolver o meu caso. Ponho a pequena a dormir mas o mais velho não se cala o que se traduz num sono de 20 minutos. À conta para por a sopa a fazer. Já perdi a conta às coisas que já entornei hoje e a sopa não é excepção. Isto não mata mas mói e à segunda vez que entorno um bocadão de leite na bancada da cozinha já só me apetece desferir um pontapé em algo. Ou chorar. Chorar é sempre uma alternativa válida. Aqueço o almoço e o mais velho queixa-se "das coisas verdes" (a saber, lasagna vegetariana com courgete e espinafres, nada que não tenha comido mas aparentemente hoje faz-lhe comichão). Estou cansada de batalhar por coisas tão pequenas. É que hoje já foi os pés descalços, os brinquedos no chão, o material escolar desarrumado, o telemóvel novo que não sai das mãos (e como posso eu chamá-lo à atenção se o meu telemóvel é a extensão do meu braço!?)... opto por retirar todas as coisas verdes e deixá-lo a comer a carne (que é como quem diz a soja...). Depois de vestir a mais pequena e quando faltam cinco minutos para tocar e estamos prontos para sair a fralda cheira mal. Pela terceira ou quarta vez hoje! A sério que já não aguento mudar cócós, especialmente quatro cócós nojentos no espaço de 3 horas (eu sempre disse que este blog não falaria de cócó mas dane-se!). A da barriga dá-me pontapés e pelo meio uma braxton hick mais puxadita para me lembrar que isto de andar constantente a acartar com 11 quilos ao colo se calhar não é o melhor que tenho a  fazer. Enfio os putos no carro e sigo até à escola. Largo o mais velho e sigo até à segurança social. A pessoa em questão ainda não chegou, tenho de esperar. Venho uma pilha porque nos 7 minutos que separam a escola do mais velho da segurança social a mais nova conseguiu engasgar-se com um bocado de papel (onde é que ela foi buscar aquilo!?) e obrigou-me a parar o carro e a enfiar-lhe um dedo na boca para que conseguisse voltar a respirar. Ah, e estava a chover. Berrou que se fartou quando o voltou a respirar normalmente e estava a ver que por pouco não deitou a sopa fora. Resolvido o problema na seg social (os tais dois minutos de pessoa simpática) sigo para os correios. Mas antes verifico se tenho dinheiro. Não tenho. Nem cartão multibanco. Ontem nas portagens ficou o marido com o cartão e não mo devolveu. Excelente. Ligo-lhe mas tem o telemóvel desligado, como de costume. Fico raivosa numa questão de segundos porque ele nunca - NUNCA - tem o telemóvel ligado. O que significa que caso a filha dele tivesse sufocado no banco de trás do carro, caso me tivessem batido no carro e eu tivesse ido parar ao hospital, ou caso eu tivesse caído na rua e partido uma perna temos pena mas não havia nada a fazer a não ser arranjar-me sozinha visto que não tenho família ou amigos ou sequer conhecidos em Évora que me pudessem socorrer. Fixe. Escrevo-lhe para o skype - que sei que vai ver quando chegar da hora de almoço - e não digo metade do que tenho entalado na garganta. Porque não quero começar a chorar sozinha, patética, num carro, à chuva. Digo-lhe só que me avise quando chegar do almoço para que possa passar pelo emprego dele a pegar o cartão. Pelo meio ainda consigo uns minutos de lucidez que me permitem ficar grata por ter um telemóvel com serviço de dados - logo com acesso à internet - para poder chegar-lhe dessa maneira. Caso contrário não haveria outra hipotese senao voltar para casa. Apanho o cartão multibanco e sou informada que a minha presença é requisitada no emprego dele. Aparentemente há uma proposta para mim. Mas ninguém me adianta sobre o que se trata... limitam-se a dizer que era muito importante estar lá hoje para poderem falar comigo. Não me candidatei a nenhum emprego e a proposta até pode nem me interessar minimamente mas pelos vistos devo dobrar o joelho e agradecer uma proposta de emprego que tanto quanto sei me diz pouco (diz-me nada porque até podem querer contratar-me para limpar os escritórios... não sei!). Quando finalmente chego aos correios - e depois de indagar sobre o que me poderão querer e o porquê de ser tão secreto para não poderem adiantar ao meu marido o que se tratar - consigo arranjar um lugar à porta. YES! Chove copiosamente e a mais nova adormeceu. FUCK! Aguardo outros quinze minutos dentro do carro para ver se a chuva abranda. Não fosse eu gostar de cumprir com as pessoas que confiam em mim e teria voltado para casa. Mas não. Quero enviar a encomenda porque me comprometi com isso. Decido-me a sair do carro quando chove menos e constato que évora é definitivamente uma merda de cidade - a não ser na questão pingo doce, ai foi uma cidade excelente - pensada unica e exclusivamente para o turismo. Ou os passeios são feitos de empedrado (excelente para partir saltos simplesmente dar cabo dos carrinhos de bebé) ou então NÃO HÁ PASSEIO DE TODO! É... a chover e eu a caminhar no meio da estrada com a miuda dentro do carro. A sério. Lindo! Como não amar viver aqui!? Nos ctt estão 8 pessoas à minha frente. Estou grávida e com uma barriga visível, levo uma bebé de colo num carrinho, mas ainda assim não me preocupo em pedir prioridade. Não tenho pressa. Gostava de me sentar porque me sinto cansada (estou anémica, já tinha dito!?) mas os dois bancos disponíveis  nos CTT estão ocupados por pessoas que TÊM de vir pagar a água aos ctt mesmo tendo a Camara Municipal ali ao lado. Ignoro. There's no point. Quando falta uma pessoa para eu ser atendida a senhora atrás do balcão chama-me afirmando que tenho prioridade. Sorrio e declino dizendo que sou já a seguir. Na minha cabeça um túnel de vento. Acho que o meu cérebro desligou-se para não entrar em curto circuito. Estive 25 minutos parada no mesmo sitio mas só me viram 25 minutos depois? Deve ter sido isso. Saio dos ctt e chove mais agora. Chamo nomes a todos os arquitectos paisagistas e todos os engenheiros que projectaram a porcaria das ruas de Évora mais o seu empedrado tradicional enquanto faço um esforço herculeo para desempenar o carrinho de todos os calhaus onde as rodas vão ficando presas. Meu rico sling! Mas as minhas costas já não perdoam os 11 quilos da minha filha e não há forma de a colocar que não incomode a da barriga. Chego a casa e preparo mais um biberon de leite. Para não variar entorno quase o equivalente a um copo de leite para cima da bancada. Tenho os olhos a picar pelas lágrimas de raiva que os vão enchendo. Ofereço o leite à mais nova e vejo que faltam 15 minutos para ir buscar o mais velho à escola. Isso significa que não vale sequer a pena descansar... Ainda chove. Regresso a casa e a fralda cheira mal. Outra vez. Ser mãe a tempo inteiro é uma benção que muitas gostariam de ter e não podem. Repito isto 3 vezes enquanto mudo a fralda e o mais velho me pergunta se lhe posso ir buscar cereais. Que posso. Mas primeiro tenho de ir desabafar. Ligo o pc e escrevo. Já me sinto melhor.

 



publicado por Daniela às 16:16
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Sábado, 5 de Maio de 2012
3a vez
Da primeira nao tive. Da segunda tive só no ultimo mês. Desta ainda faltam 3 meses e meio e já cá vive (e eu passava bem sem ela). Azia :(

[ninguém me avisou que a medida que ficávamos gravidas mais vezes os sintomas (maus, péssimos) se iam intensificando... Passei tao bem de Miss Lila e parece que desta vez tudo o quanto é maleita típica deste estado de graça se uniu para me castigar. Felizmente fugi aos enjoos mas as 25 semanas já ando à pata, já tenho o osso púbico a dar de si e tenho o esófago em chamas. Assim nao vale!]


publicado por Daniela às 17:32
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Quarta-feira, 2 de Maio de 2012
Ainda a destralhar

Este fim-de-semana aproveitei o aniversário do filho mais velho para destralhar mais um pouco. Entre limpezas e arrumações decidi tirar o tapete da sala - com aquela desculpa de que se sujaria com a criançada - e a verdade é que ainda não regressou à base. Era daqueles tapetes felpudos, bonitos e confortáveis. Aliás tudo isto proporcionalmente à dificuldade que era mante-lo limpo. Com uma criança a gatinhar, um pré adolescente que vem sujissimo para casa e uma adulta que costura (c'est moi!) aquele tapete estava um nojo em menos de nada. Todos os fins de semana era sacudido e todos os fins de semana caia de lá uma tonelada de pó e porcaria e pelos de gato e outros etc. Foi com alivio que o coloquei de parte e que tenho agora o chão da sala ao natural. Tijoleira fácil de limpar. E a sala parece mais leve, menos atravancada. Até tem um ar um pouco espartano, para ser franca, mas gosto e prefiro.

 

Não vai ficar assim. Quero colocar um tapete na sala, nem que seja porque a sala é demasiado grande e em termos de conforto para uma criança que anda no chão é importante ter um. Mas vai ter de ser muito bem escolhido :)



publicado por Daniela às 09:49
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Segunda-feira, 30 de Abril de 2012
Maria
Já ouviram falar do síndrome do gémeo desaparecido? Eu confesso que já tinha ouvido qualquer coisa sobre isso, num qualquer programa da National Geographic sobre gestação gemelar. Já tinha ouvido dizer que 20% das gravidezes começa por ser gemelar e que, em uma em cada oito gravidezes gemelares um dos gémeos é detectado na primeira ecografia - feita cedo - e já nao aparece na segunda ecografia - feita por norma às doze semanas. O que acontece é que esse segundo gémeo é absorvido ou expulso e o gémeo que "sobra" prossegue o seu desenvolvimento normal, numa gestação normal. Alias, há estudos que ligam os canhotos - filhos únicos - a este fenonemo visto que por norma os gémeos verdadeiros se desenvolvem como espelho um do outro (um dextro e outro esquerdino). Enfim, há muitos estudos e muitas hipóteses mas acho que é daquelas coisas que por mais que conheçamos nunca achamos que nos vá acontecer a nos. Isto é, até acontecer.

Às oito semanas perdi um bebé e relatei-o aqui. Fi-lo, como disse na altura, porque precisava purgar essa dor e simplesmente seguir em frente. E foi o que fiz. Liguei ao meu medico e optei por nao ir ao hospital - tinham passado três dias, as perdas hematicas eram agora ligeiras e eu só queria esquecer a montanha russa na qual tinha andado nas ultimas semanas. Infelizmente já tinha mais experiência do que desejava em perda gestacional numa fase inicial da gravidez e estava alerta para algo fora do normal pelo que descansei e limitei me a aguardar. A aguardar que o meu corpo retomasse a sua normalidade. Passaram-se quatro semanas e o meu ciclo nao reiniciava. O meu marido insistia que fosse ao medico, nem que fosse por um descargo de consciencia e eu, teimosa, dizia que nao. Para que? Ele só dizia isso porque nunca tinha estado deitado numa marquesa, despido da cintura para baixo, com um doutor ou doutora a dizer-lhe algo como "se estiver a abortar esta! Que quer que lhe faça? Vá para casa e volte só volte cá se estiver com muitas perdas". Ia ao medico fazer o que? Ouvir o que eu já sabia!? Aquilo que a ausência de sintomas denunciava? Aquilo que já tinha vivido duas vezes anteriormente? Nao... Convenci-me que o corpo estava a demorar a regularizar porque assim tinha de ser. Tinha sofrido um trauma pelo que mais algum tempo de recuperação era normal. Dei-me mais duas semanas de tolerância. Seis semanas seria suficiente para um reboot, certo!? A embalagem do anticoncepcional à espera de um sinal e eu a desesperar.

Aos poucos o medo foi-me preenchendo. E se? E se algo estivesse irremediávelmente mal comigo? E se eu já fosse tarde para resolve-lo? Então, seis semanas depois daquele dia, decidi ir ao medico. Nem que fosse para ser "castigada" com uma má noticia (é incrível o sentimento de culpa que alguém que perde um bebe se atribui - na minha cabeça eu merecia que algo estivesse mal comigo porque afinal de contas eu nao tinha sido capaz de cumprir o mais básico que qualquer mulher devia...) e de repente tudo muda. Uma palpacao enche a cara do medico de duvidas. Você abortou? Tem a certeza? Que sim, que tenho. Absoluta. Foram três dias de dor intensa - física e emocional - acompanhados por todos os sintomas de um aborto espontâneo, inclusive expulsão. E um ecografo a mostrar-me o que eu sabia ser impossível. Um bebe com 14 semanas, alive and kicking -literalmente - e eu sem conter as lagrimas, a jurar a pés juntos que sabia o que me tinha acontecido, que nao era doida. E o medico a descansar-me, a explicar-me, a dar-me números estatísticos, a assegurar-me que nao era incomum, incomum era eu nao ter sido observada em tempo "útil" por causa da minha teimosia. E agora? 14 semanas! E eu sem analises, nem ecografia, nem cuidados, nem nada. 14 semanas e eu a re-ajustar a minha percepção da realidade que Ai vinha. Eu a informar o marido que a perda nao foi perda. Que ia-mos ter outro bebe - enquanto chorava desesperada e confusa e cansada e a perguntar me o porque de comigo nada ser fácil...

E depois veio a visita ao medico, as primeiras analises, uma ecografia marcada à pressa para tentar ver dentro do possível se estava tudo normal... E estava. As 16 semanas descobrimos a Maria, aparentemente saudável (será smp aparentemente até a ter ao colo e puder ver!), aparentemente normal. A desenvolver-se como seria suposto. E hoje já temos 24 semanas (e quatro dias) e ainda me esqueço que a Maria aqui esta - apesar dos pontapés vigorosos que levo. Nao há tempo para fotos semanais da barriga... Nao há tempo para desesperar por uma ecografia... Nao há tempo para ansiedade. Miss Lila já esta ca fora e exige atenção. Lady Maria ainda esta embutida e requer pouco - em comparação com a irmã - pelo que há que definir prioridades. E assim em dois anos e meio passo de mãe singular para mãe ao cubo. Mãe de três. Mãe de duas bebes com apenas 14 meses de diferenca - contando que Lady Maria nao se antecipe no seu nascimento.

Oscilo ainda entre a felicidade natural de quem espera mais um filho e a ansiedade de quem nao esta preparada. Alegra-me saber que na esmagadora maioria das vezes ninguém esta preparada mesmo quando pensam que sim.

(nao consigo fazer parágrafos a escrever no Tlm... Sorry)
(olha! Afinal consigo!)


publicado por Daniela às 09:03
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Domingo, 29 de Abril de 2012
8 anos

Há oito anos atras nascias tu e nascia eu, como mãe, pela primeira vez. Vinhas embrulhado numa mantinha branca, com um gorro cor de laranja enfiado na cabeça. Branquinho, lisinho. Depois do choro inicial calaste-te e limitaste-te a olhar para mim durante longos minutos enquanto eu falava contigo. E eu olhava para ti e nem sabia o que te dizer. "Sou tua mãe" acho que foi a primeira coisa que disse, como se fosse preciso afirmar-To em voz alta para que nao restassem duvidas do laço que nos iria unir para sempre. E hoje já passaram oito anos desde esse dia e todas as memórias passam tipo filme pelos meus olhos. As noites sem dormir, o primeiro sorriso a serio, o cuspires a sopa, os primeiros passos, partires o braço e eu sentir dores como se o meu próprio braço estivesse partido, trepares ao escorrega, comeres gelado (e sujares-te muito!), as longas noites febris em que dormiste agarrado a mim (na verdade mais eu agarrada a ti com aquele medo irracional que o teu corpo frágil e debilitado pela doença me fugisse sem eu dar conta), os passeios pelo parque, visitas de estudo, pecas de teatro, a primeira ida ao cinema, as birras, as perguntas, os mimos espontâneas, as calcas rotas, o primeiro dia de aulas, tu a mexeres nos pés da tua irmã recem nascida, a comeres a minha comida do hospital, tu a dançares kuduro, a rires-te as gargalhadas quando dançamos juntos, a chorares de raiva quando perdes ao PES...

E vou confessar te... O medo de te perder permanece. Estas crescido e na minha ânsia de fazer de ti um homem bom sinto que há um fosso que se vai abrindo entre nos. As vezes tenho saudades tuas, pequenino, embrulhadinho no meu colo. E preferia nao ter de ralhar-te, nao ter de castigar-te, nao ter de te ouvir o desapontamento quando te digo nao. Também me dói nao poder dar te tudo. Mais do que alguma vez vais saber... Bem, talvez quando tiveres os teus filhos que juras a pes juntos que nunca terás.

Hoje fazes oito anos... A casa esta cheia de balões, gomas, batatas fritas e pipocas.

Eu estou cheia de saudade, nostalgia e amor, mais ainda mais de orgulho em ti. E ansiosa a espera para ver aquilo em que te vais tornar... Porque prometes!

Amo-te muito G.

 



publicado por Daniela às 19:28
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Terça-feira, 3 de Abril de 2012
:)

E agora é isto, todas as noites, várias horas por noite.

 

Agarro-me à máquina de costura quer tenha peças encomendadas quer não e dá-me um prazer do camandro terminar as coisas e prepará-las para o envio.

 

 

Esta noite foi toda dedicada aos babetes que me encomendaram. Ficaram tão giros que a minha vontade é ficar com todos para mim (que é como quem diz para a minha Lila) mas não pode ser... estes já têm dono, e ainda bem!

 

E para quem não sabe o que é um "babete tipo bandana"... é isto :D Ficam ainda mais bonitos pendurados ao pescoço. Adoro!

 



publicado por Daniela às 01:31
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